O costureiro das nebulosas
Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de MenesesPublicado em 27 de Agosto de 2026 ás 17h 33min
O Costureiro das Nebulosas
Rosy Neves
Ele ainda costura nebulosas
no quintal do céu,
com fios de névoas negras
e agulhas feitas de silêncio.
Costura devagar,
como quem remenda as feridas
de uma noite antiga,
como quem sabe que as estrelas
também podem sangrar.
Silêncio…
Há uma lua escondida
atrás das cortinas do infinito,
e o vento passa de mansinho,
carregando nomes esquecidos
pelas estradas do tempo.
Ele costura…
Uma nebulosa sobre a outra,
um suspiro dentro da eternidade,
um pedaço de saudade
na barra azulada do firmamento.
E quando termina,
o céu parece inteiro —
mas não está.
Porque entre os pontos escuros
ficou preso um segredo,
uma lágrima sem dono,
um amor que não encontrou morada.
Ele ainda costura nebulosas
no quintal do céu…
E talvez,
quando a última estrela adormecer,
ele encontre entre os fios
o teu nome
e o borde, silenciosamente,
na eternidade.