O costureiro das estrelas
Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de MenesesPublicado em 06 de Agosto de 2026 ás 07h 59min
O Costureiro das Estrelas
Rosy Neves
Na noite em que ele costurava estrelas
no tecido infinito do céu,
eu o vi chorar.
Seus dedos, feitos de silêncio,
bordavam constelações
com fios de luz e eternidade,
enquanto o universo prendia a respiração.
Mas algumas estrelas, ainda frágeis
como botões de lírio recém-nascidos,
desprendiam-se do manto celeste
e caíam na vastidão sem nome.
Eu as vi desaparecerem,
engolidas pelo oceano escuro do infinito,
como sonhos que ninguém teve coragem de guardar.
Então seus olhos, profundos como galáxias,
encheram-se de uma tristeza antiga,
dessas que existem antes mesmo do tempo
aprender a contar os séculos.
Nenhuma palavra foi dita.
Somente o vento das alturas
recolheu suas lágrimas
e as transformou em cometas silenciosos,
para que jamais se perdessem.
Desde aquela noite,
quando vejo uma estrela cadente,
não faço um pedido.
Apenas fecho os olhos
e imagino que ela voltou, enfim,
às mãos do eterno costureiro,
que continua, pacientemente,
remendando os rasgos do céu.