O corvo sagrado
Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de MenesesPublicado em 20 de Outubro de 2026 ás 06h 43min
O Corvo Sagrado
— Rosy Neves
O corvo sagrado
está prestes a abrir os olhos.
Silêncio.
Não despertes o rio
que corre lentamente
dentro dos olhos dele.
Há águas antigas
dormindo sob suas pálpebras,
águas que conhecem
o nome secreto da noite
e o caminho das estrelas
quando o mundo se cala.
Não o chames.
Deixa que a sombra
repouse sobre suas asas,
que o vento passe devagar
entre as penas escuras,
como uma mão paciente
sobre a fronte cansada da terra.
A lentidão é uma música serena.
Toca sem pressa
as margens do coração,
desata os nós da alma
e transforma o peso do silêncio
em uma calma profunda.
Quando o corvo abrir os olhos,
talvez o céu se recorde
de como nascer.
Por isso, silêncio.
Deixa o rio correr
dentro dos olhos dele,
lento, sagrado,
sem despertar a dor
que ainda aprende
a dormir.