O chamado
Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de MenesesPublicado em 15 de Fevereiro de 2026 ás 08h 13min
O chamado veio das estrelas,
não um trovão estrondoso
que rasga o silêncio da noite,
mas algo mais fino,
mais persistente.
Era um sussurro,
um fio de luz esticado
por eras de vácuo frio,
chegando ao ouvido da terra,
quase inaudível para a pressa humana.
Não era uma ordem,
nem um decreto vindo de um trono cósmico,
mas uma suplica,
o lamento suave de algo que se perdeu
na vastidão insondável.
Uma urgência tecida
no tecido do tempo,
uma necessidade que eu não podia nomear,
mas que ressoava na medula dos ossos,
na paisagem interna da minha solidão.
As estrelas, frias e distantes,
partilhavam um segredo antigo,
uma dor partilhada que atravessava
a fronteira entre o ser e o não ser.
Eu ouvi a vibração,
não com os ouvidos,
mas com a pele exposta ao vento noturno,
com a alma descalça na grama orvalhada.
O sussurro pedia atenção,
não para um resgate, talvez,
mas para um reconhecimento,
uma ponte tênue,
construída de silêncio e anseio.
E a urgência não era para mim sozinho,
era para todos os pontos de luz,
todos os corações inquietos,
que olham para cima
e sentem a vertigem da distância.
Era a necessidade de lembrar
de onde viemos,
para onde a poeira das estrelas
ainda anseia retornar,
um mapa desenhado em poeira estelar.
O chamado não cessava,
continuava a ser,
simplesmente,
uma súplica leve,
mas pesada de significado,
ecoando no centro do meu peito
como um tambor feito de vidro fino.