O caminhar da estranha
Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de MenesesPublicado em 22 de Março de 2026 ás 08h 44min
Ela caminha mansamente na espuma do mar,
como quem não pesa sobre o mundo,
como quem aprendeu o segredo das ondas.
Seus pés beijam a água
e a água responde em silêncio,
recolhendo seus passos
como se guardasse memórias antigas.
Sussurra estrelas cadentes
em uma língua que só o vento entende,
e o céu, inclinado, escuta
cada palavra que nasce de seus lábios.
Há um brilho suave em seus olhos,
como se carregasse dentro de si
um pedaço esquecido do infinito.
E por onde passa,
o mar se acalma,
o tempo desacelera,
e o universo respira mais devagar.
Ela não pertence à terra,
nem ao céu,
nem ao próprio mar.
Ela é o intervalo entre todos eles—
um suspiro de eternidade
caminhando na espuma do mundo.