O Bósforo das lágrimas
Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de MenesesPublicado em 29 de Agosto de 2026 ás 14h 59min
O Bósforo das Lágrimas
Rosy Neves
As lágrimas dele
caíam devagar,
como pequenas estrelas cansadas
de atravessar o céu.
Eram apenas um fio d’água,
um fino Bósforo escondido
entre as margens do silêncio,
onde a noite repousava
com seus olhos fechados.
Mas, no fim do mundo,
aquele fio se levantou.
Cresceu entre montanhas de névoa,
rompeu os limites do tempo
e tornou-se um grande rio,
um rio profundo e antigo,
carregando em suas águas
tudo aquilo que jamais foi dito.
Dizem que, às suas margens,
nenhum homem pode permanecer
sem ouvir o próprio coração.
Ali, o céu toca a terra,
e as estrelas descem lentamente
para beber das águas
que nasceram de uma lágrima.
Mas aquele lugar
não pertence aos homens.
Um anjo o guarda.
Permanece de pé
sobre uma pedra branca,
com as asas abertas
contra a eternidade.
Não fala.
Apenas observa o rio
passar pelo fim dos séculos.
E quando alguém pergunta
quem chorou para que aquele rio existisse,
o anjo baixa os olhos
e deixa cair uma única pena.
Então o silêncio responde:
— Foi aquele que amou tanto,
que suas lágrimas precisaram
de um mundo inteiro para caber.