O barquinho de papel nas dobras do azul
Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de MenesesPublicado em 09 de Outubro de 2026 ás 15h 18min
O Barquinho de Papel nas Dobras do Azul
Rosy Neves
Eu sou um barquinho de papel,
perdido nas dobras do azul,
navegando por mares sem margens,
sob um céu que não conhece o sul.
O mar não é deste mundo…
Silêncio! Não despertes as ondas!
Elas são estrelas caídas,
que choram saudades de outras eras
nas águas mais profundas e insondáveis.
Tenho medo…
Tenho frio…
E a noite derrama sobre mim
seu manto de névoas esquecidas.
Sou tão pequeno neste oceano,
tão frágil diante da imensidão,
um barquinho de papel à deriva,
carregando um universo no coração.
Ó, ondas! Não me devorem!
Não rasguem minhas velas de sonhos!
Ainda trago dentro do peito
alguns versos que não foram escritos,
e uma flor adormecida
nos jardins de um tempo perdido.