O barco que nunca afunda
Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de MenesesPublicado em 18 de Julho de 2026 ás 18h 00min
O Barco que Nunca Afunda
Rosy Neves
Eu estou em um barco,
quebrado em um mar da China,
mas o mar não era desse mundo.
As ondas eram feitas de sonhos,
diamantes se espelhando no horizonte,
nuvens de algodão doce,
infinitas e suaves,
invocando risos perdidos.
O céu era um manto de cores,
pintado com sussurros de lembranças,
cada brisa trazia um eco,
segredos de uma terra esquecida,
onde os peixes dançavam
em sinfonias de luz.
As estrelas caíam como chuva,
mergulhando nas águas profundas,
a noite, um poema
recitado em silêncio,
e eu, sentado na quimera,
navegando por sonhos desfeitos,
num barco que nunca soube
o que é afundar.
As marés me abraçam,
e eu flutuo, perdido,
no não-lugar chamado espera,
onde o tempo não se atreve a correr,
onde a liberdade é uma canção,
ecoando nas ondas,
num mar que desafia a lógica,
mas ao mesmo tempo
toca a essência de ser.