O banco onde a chuva espera
Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de MenesesPublicado em 31 de Agosto de 2026 ás 06h 53min
O Banco Onde a Chuva Espera
Rosy Neves
Ele ainda continua me esperando na chuva…
Sentado em um banco velho e abandonado,
onde o tempo deixou suas cicatrizes
e o silêncio aprendeu a morar.
Sobre seus ombros,
caem as folhas mortas
que o outono expulsou das árvores,
uma a uma,
como pequenas cartas
que ninguém se atreveu a ler.
Ele não vai embora.
A chuva escorre pelo seu rosto
como se o céu também chorasse
a minha ausência.
E, pouco a pouco,
a neve começa a cair…
Branca, silenciosa,
cobrindo seus cabelos,
seus ombros,
seus pés imóveis
e o velho banco onde ainda repousa
a esperança de que eu volte.
Talvez ele ainda olhe para a estrada,
esperando ouvir meus passos
entre o rumor da chuva.
Talvez ainda guarde meu nome
em algum lugar secreto do peito,
onde nem mesmo o inverno
conseguiu apagar minhas lembranças.
E eu…
Eu sigo distante,
como uma estrela fugitiva
perdida atrás das nuvens.
Mas quando a noite chega
e a neve cobre tudo,
há sempre uma pequena luz
acesa naquele banco.
É ele.
Ainda esperando.
Ainda amando.
Ainda acreditando
que, algum dia,
eu voltarei pela mesma estrada
onde um dia parti.
E talvez, quando eu chegar,
não encontrarei mais o homem…
Apenas o banco,
as folhas mortas
e uma pequena flor de inverno
nascendo entre a neve,
como se o amor,
mesmo abandonado,
se recusasse a morrer.