O arcanjo sombrio da noite
Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de MenesesPublicado em 15 de Maio de 2026 ás 14h 59min
O Arcanjo Sombrio na Noite
de Rosy Neves
O arcanjo era uma sombra na noite
não uma sombra que se esconde
mas uma presença que se expande
uma silhueta que se desenha
no veludo profundo do céu sem lua
Profundo mistério
tecido em fios de estrelas distantes
em sussurros que o vento não carrega
em sabedoria que o tempo não apaga
um enigma envolto em luz invisível
Não de medo!
a alma não se encolhe
o coração não acelera
o peito não aperta
apenas uma calma que se instala
uma quietude profunda e serena
Uma reverência
não de submissão servil
mas de admiração genuína
de reconhecimento da magnitude
do sagrado que ali pairava
uma inclinação humilde da cabeça
um respeito que nasce da alma
Ele era a quietude que precede a alvorada
a promessa de algo maior
a ponte entre o tangível e o etéreo
uma forma que se vislumbra no limite
entre o sonho e a vigília
Seus contornos eram fluidos
como névoa matinal se dissipando
ou a fumaça de um incenso antigo
que sobe em espirais silenciosas
sem destino aparente mas com propósito oculto
Um manto de escuridão o cobria
mas de dentro emanava um brilho sutil
como o reflexo de um lago adormecido
capturando a luz que não se via
uma centelha de divindade a pulsar
Não havia vozes audíveis
apenas a sensação de uma mensagem
transmitida sem palavras
uma compreensão que se instalava
direto no âmago do ser
como a certeza de que o sol
sempre volta a nascer
Ele era o guardião dos limiares
o mensageiro das verdades veladas
o eco de um poder ancestral
que moldava a existência
sem que o percebêssemos completamente
Na sua sombra não havia frieza
mas um abraço cósmico
uma vastidão que nos engolia
e nos fazia sentir parte de algo
infinito e eterno
Um momento suspenso no tempo
onde a realidade se dobrava
e a transcendência se revelava
na figura imponente e serena
do arcanjo que era uma sombra
na noite profunda
um mistério que inspirava
uma reverência silenciosa e profunda.