O arcanjo nas bordas do tempo

Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de Meneses
Publicado em 27 de Outubro de 2026 ás 07h 02min

O Arcanjo nas Bordas do Tempo

— Rosy Neves

 

 

 

Eu ainda ouço o arcanjo

suspirando o meu nome

nas bordas do tempo,

onde as estrelas adormecem

e a eternidade caminha descalça

sobre os destroços do firmamento.

 

Há uma voz que vem de longe,

atravessando os séculos de névoa,

como um pássaro ferido

que procura o ninho perdido

nas ruínas de um céu

que já não se lembra de mim.

 

Ah, arcanjo dos silêncios antigos,

por que guardas meu nome

entre os lábios do infinito?

Seria eu uma saudade esquecida

nos aposentos da eternidade,

ou apenas um verso inacabado

no livro secreto do destino?

 

Eu ainda te escuto…

Quando o outono desfolha as estrelas,

quando a noite se ajoelha sobre o mar,

há um suspiro atravessando o universo

e uma luz que insiste em me encontrar,

como se nem mesmo o tempo

pudesse nos separar.

 

E assim permaneço,

peregrina entre mundos desconhecidos,

costurando nebulosas com lágrimas,

recolhendo os fragmentos de mim

nas margens de um oceano sem nome.

 

Porque, no derradeiro silêncio,

quando todos os relógios se desfizerem

e o último cometa adormecer,

talvez eu ainda ouça o arcanjo

— tão distante, tão eterno —

suspirando meu nome

naquela fronteira do infinito

onde o amor não precisa morrer.

Comentários

Olá! Utilizamos cookies para oferecer melhor experiência, melhorar o desempenho, analisar como você interage em nosso site e personalizar conteúdo. Ao utilizar este site, você concorda com o uso de cookies.