Ó arcanjo, até quando?
Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de MenesesPublicado em 23 de Abril de 2026 ás 15h 06min
Ó Arcanjo, até quando?
Meus olhos, águias famintas,
piscando no horizonte vasto,
perscrutam nuvens, montanhas,
o azul profundo que esconde
o rastro luminoso que procuro.
Antes, meus pés,
duas crianças inocentes,
corriam leves,
pisando macio
em campos onde as flores desabrochavam
em cores vibrantes, em perfumes
que embriagavam a alma.
Cada passo era uma descoberta,
uma risada solta ao vento,
uma dança sem rumo,
apenas a alegria pura
do toque da terra úmida,
do beijo suave das pétalas.
Mas agora, ó Arcanjo,
o chão se tornou
um labirinto árido,
pedras pontiagudas
que ferem a delicadeza dos instintos.
O sol que antes aquecia
agora queima,
seca a esperança em minhas veias.
As flores sumiram,
deixando apenas
o eco de um perfume saudoso,
uma lembrança fugaz
de dias que parecem
tão distantes, tão irrecuperáveis.
Meus olhos, agora pesados,
ainda buscam, ainda insistem
na promessa de tua luz,
no sussurro de tua asa protetora.
Onde te escondes, mensageiro divino?
Onde se perdeu o caminho
que antes trilhava com tanta naturalidade?
Cada amanhecer é um novo apelo,
cada anoitecer uma interrogação
silenciosa que ressoa no peito.
Os pés que outrora brincavam
agora caminham com lentidão,
com o peso das incertezas,
com o cansaço de uma jornada
sem o teu guia, sem o teu abraço.
Sinto a terra áspera sob a pele,
o frio que emana das sombras
que se adensam sem o teu clarão.
Ó Arcanjo, a saudade
é um fardo que dilacera,
uma sede insaciável
que clama por tua presença.
Vem, quebra o silêncio,
revela o caminho,
acende a chama que se apaga
em meu coração desamparado.
Até quando essa espera,
esse anseio que me consome?
Meus olhos são águias, sim,
mas águias exaustas,
procurando a silhueta familiar
no infinito que me cerca.
Retorna, Arcanjo,
e renova a esperança
em meus passos,
em meu olhar,
em minha alma.