O arcanjo arqueiro

Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de Meneses
Publicado em 30 de Setembro de 2026 ás 11h 56min

O Arcanjo Arqueiro
 
Rosy Neves
 
O arcanjo arqueiro,
o último derradeiro,
perdeu-se nos passos
da névoa do tempo primeiro...
 
Silêncio!
 
Seu arco repousa
sobre um campo de estrelas mortas,
e nenhuma flecha ousa
atravessar as antigas portas.
 
Caminha sozinho
por entre relógios quebrados,
onde os séculos dormem
como anjos esquecidos.
 
Ninguém sabe de onde veio,
nem para onde levará
a última flecha de luz
que ainda guarda no olhar.
 
Dizem que, ao cair da noite,
ele procura uma voz
nas margens do infinito,
onde o céu se desfaz em nós.
 
E quando a névoa se abre,
por um breve segundo apenas,
vê-se o brilho de suas asas
entre constelações distantes.
 
Mas ele não chama.
 
Não pronuncia meu nome.
 
Apenas ergue o arco
e contempla o horizonte...
 
Como se esperasse
que o próprio tempo
lhe devolvesse
aquilo que levou.
 
Silêncio!
 
O arcanjo arqueiro
permanece à beira do mundo,
guardando a última estrela
do primeiro amanhecer.

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