O anjo

Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de Meneses
Publicado em 21 de Março de 2026 ás 18h 10min

O anjo esquecido na solidão da noite

ainda chora em silêncio profundo,

como quem guarda no peito

um céu que desabou no mundo.

 

Suas lágrimas caem mansas,

feito chuva sem trovão,

e desenham longas distâncias

no escuro da imensidão.

 

Cada gota é um suspiro antigo,

uma saudade sem fim,

um eco de asas cansadas

que já não sabem voltar para si.

E esse pranto que escorre lento

vira rio, sem direção,

correndo entre sombras e vento,

levando consigo a dor do coração.

 

Mas o rio não se perde — ele sabe,

mesmo em sua tristeza sem cor,

que todo caminho, cedo ou tarde,

vai desaguar no infinito do amor.

 

E lá, no abraço do mar,

talvez o anjo enfim descubra:

que até na dor de chorar

existe um caminho de luz que perdura.

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