O amor registe ao outono

Outono | Poesia Amorosa | Rosilene Rodrigues Neves de Meneses
Publicado em 29 de Maio de 2026 ás 15h 05min

O Amor Resiste ao Outono

 

O amor ainda resiste ao frio do outono,

como folhas que dançam leves

no sussurro suave do vento,

suavemente se entregando e confiando

aos braços pacientes do tempo.

 

As árvores, agora despidas e sem cores,

se erguem firmes, desafiando o céu cinzento,

mas dentro de cada tronco nu e forte,

vive um eco de antigas e novas esperanças,

um chamado secreto à vida que persiste,

que não morre nunca,

mesmo nas mais geladas e escuras madrugadas.

 

Olhares se cruzam sob o véu do nevoeiro,

quentes e brilhantes como a promessa certa

de um novo amanhecer que há de vir.

Mãos se tocam e se entrelaçam,

tecendo cânticos silenciosos de carinho,

neste mundo que, devagar, se despede

de suas cores mais vibrantes e alegres.

 

O amor se veste, então, de uma coragem serena,

e se reencontra nos sorrisos que não se apagam,

nas histórias contadas ao abrigo do frio,

enquanto a chuva cai e sussurra baixinho

sobre a terra que repousa e adormece.

 

Um riso que aquece, um abraço que protege,

cobertores que envolvem e dão calor,

e, no calor seguro das boas lembranças,

o amor ainda resiste, firme e brilhante,

tal como um farol imóvel na neblina,

brilhando, sempre brilhando,

mesmo quando a sombra densa e fria

tenta, em vão, abraçar e apagar o dia.

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