O amor levado pelas águas
Poemas | | Rosilene Rodrigues Neves de MenesesPublicado em 10 de Junho de 2026 ás 11h 34min
O Amor Levado pelas Águas
de Rosy Neves
Ó destino cruel, de mão severa e fria,
que lançaste meu amor ao mar profundo,
pelas águas salgadas de Portugal errante,
deixando meu peito perdido neste mundo.
Partiu-se a esperança como vela ao vento,
rompeu-se o sonho na tormenta do cais;
e eu, pobre alma vestida de luto,
conto estrelas mortas nas noites iguais.
As ondas levaram seus passos distantes,
os beijos, as juras, o brilho do olhar;
e ficou-me apenas a sombra do encanto,
como névoa que insiste em não se apagar.
Ah, quanto contraste governa minha sorte!
Entre a memória dourada e o presente escuro,
vivo entre rosas de perfume celeste
e espinhos que ferem meu peito inseguro.
Nas tabernas da noite boêmia e deserta,
procuro seu nome no fundo do vinho;
mas encontro somente o eco do silêncio
caminhando comigo por cada caminho.
Ó mar português, vasto espelho de mágoas,
por que guardas aquilo que tanto amei?
Devolve-me ao menos um sonho perdido,
ou a lágrima última que por ela chorei.
E assim sigo eu, peregrino da ausência,
entre sinos, saudades e eterna aflição;
enquanto o amor navega em águas salgadas,
deixando-me a boemia triste da solidão.