Ó amado. Até quando?
Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de MenesesPublicado em 20 de Março de 2026 ás 16h 15min
Ó Amado, Até Quando?
Ó amado, quando deixarás meus pés
alcançar o teu coração?
Caminho sobre espinhos de ausência,
e cada passo é um suspiro que se perde
no deserto do tempo.
Deixa-me descansar em ti,
onde o silêncio é abrigo,
onde o vento não fere,
onde o amor não se esconde
atrás das sombras da distância.
Os lírios em minhas mãos sangram lágrimas,
brancas pétalas tingidas de saudade,
como se o perfume da espera
fosse o único alimento da alma.
Eles choram contigo,
mesmo sem te ver,
mesmo sem saber se ainda existes
no mesmo céu que me cobre.
Até quando, ó amado,
o sol nascerá sem teu rosto?
Até quando a lua me visitará
com o frio da tua ausência?
O tempo é um rio que não cessa,
e nele afogo meus sonhos,
esperando que um dia
tuas mãos me resgatem da correnteza.
Há um eco em meu peito
que repete teu nome,
como prece, como ferida,
como promessa que não morre.
E mesmo que o mundo se cale,
meu coração ainda grita:
volta, amado, volta,
antes que o último lírio
se desfaça em pó de saudade.
Deixa-me descansar em ti,
onde o amor é eterno,
onde o tempo não separa,
onde o coração, enfim,
encontra repouso no teu.