O AEDO DO SERTÃO

| | 2026/06 Antologia Versos de raiz e chão | Josivaldo Constantino dos Santos
Publicado em 30 de Junho de 2026 ás 10h 52min

O AEDO DO SERTÃO

Antônio Gonçalves da Silva

Sertanejo, homem de fé

Ativista social

Camponês, roceiro é

Essa pessoa bacana

Nasce em Serra de Santana

Município de Assaré.

 

Em mil novecentos e nove

Surge esse ser genial

No dia cinco de março

Uma sexta, sem igual

Só seis meses estudou

Pois, sempre se dedicou

Ao árduo labor rural.

 

O seu lugar de origem

É o estado do Ceará

Ele é o “poeta da roça”

E com seu povo sempre está

Poetizando a lida

E as desventuras da vida

Dos habitantes de lá.

 

Seus versos de improviso

Marcam a oralidade

A poesia declamada

Da vida à comunidade

Um gênio estava ali

No Sertão do Cariri

“Desocultando” a verdade.

 

Trovas, gracejos, pelejas

Cantava pelo sertão

Sua poesia matuta

Brotava do coração

Um poeta sertanejo

Executando o desejo

De versar contra a opressão.

 

Num contexto social

De uma extrema pobreza

Onde a seca predomina

E quase não há pão na mesa

 

Sua poesia traduz

O peso da dura cruz

Que gera dor e tristeza.

 

Com uma linguagem cabocla

Muito forte e natural

Canta os “ais” dos camponeses

Seu sofrimento real

Fala da Maria e Zé

Pois sua poesia é

Experiência vivencial.

 

Um poeta social

Com o seu povo engajado

Socialista convicto

Muito bem politizado

Sua luta era diária

Por justa reforma agrária

Pra um povo injustiçado.

 

Todo o seu mundo poético

Representa os oprimidos

Os roceiros, os sem-terra

Explorados, desvalidos

Denuncia os governantes

E seus desmandos constantes

No presente e tempos idos.

 

O poeta quer que seu povo

Permaneça no sertão

E que em sua terra plante

Macaxeira, milho e feijão

E seja livre das mazelas

Dentre estas tem aquela

Que é a exploração.

 

Não quer a “triste partida”

Nem “resposta de patrão”

Nem “ABC do nordeste

Flagelado”, isso não.

Pro sertão, nada de ruim

E aos “nordestinos sim

[Mas] nordestinados não”.

 

Foi poetizar no céu

Dia oito de agosto

Ano de dois mil e dois

O que provocou desgosto

A poesia chorou

O nordeste lamentou

Não poder ver mais seu rosto.

 

O aedo, a que me refiro

O leitor já sabe quem é

Tem nome de belo pássaro

Que na serra, canta no “pé”

Sua poesia é viva

Comprometida e ativa

Patativa do Assaré.

 

 

 

 

 

 

 

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