O ADEUS EM 4 ESTAÇÕES
| | 2025 - Antologia Gilmair Ribeiro da Silva e Convidados | Isolti CossetinPublicado em 01 de Outubro de 2026 ás 16h 58min
O ADEUS EM 4 ESTAÇÕES
No verão, o adeus tem gosto de sal,
é lágrima que se mistura ao suor,
sol que se põe com um certo sinal
de que nem todo calor é amor.
A brisa quente sopra lembrança,
e o riso morre antes da esperança.
No outono, o adeus cai devagar,
como folhas que se rendem ao chão.
É tempo de deixar ir, de aceitar,
mesmo com o peito em contradição.
O vento carrega o que não ficou,
e o que era belo, o tempo levou.
No inverno, o adeus é silêncio e frio,
um cobertor que não aquece a alma.
A ausência pesa, e o vazio
caminha lento, sem ter calma.
Cada gesto lembra o que se perdeu,
e a solidão sussurra: “Ele não voltou.”
Na primavera, o adeus dói diferente,
é flor que brota entre cicatrizes,
é lembrar com doçura, docemente,
os amores e suas raízes.
Ainda há dor, mas já há flor,
e o adeus se veste de outra cor.