Nunca pertubas o marinheiro
Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de MenesesPublicado em 30 de Março de 2026 ás 19h 24min
Nunca perturbes o marinheiro,
que carrega nos olhos um mapa de estrelas,
pois cada brilho que nele repousa
é memória de um céu que não se esquece.
Ele caminha sobre águas inquietas,
mas o coração — esse — navega em silêncio,
como quem conhece o idioma das marés
e escuta o segredo antigo dos ventos.
Avante — diz a noite em murmúrio —
que a tormenta é sombrolenta,
e embora suas mãos sejam frias,
não apagam a chama do horizonte.
Há um destino bordado no escuro,
um fio invisível entre o medo e a coragem,
e o marinheiro, feito de sal e saudade,
segue como quem nunca esteve à deriva.
Nunca perturbes aquele que parte,
pois partir é também uma forma de ficar
em tudo aquilo que ainda há de vir.
E quando o mar enfim silenciar,
e os céus se abrirem como um livro antigo,
verás que nos olhos do marinheiro
não havia apenas estrelas —
havia o infinito inteiro a navegar.