NOVAS COSTURAS
| Poesia Lírica | 2026/3 Antologia Rascunho do Eu: enquanto me escrevo | Isolti CossetinPublicado em 07 de Março de 2026 ás 20h 37min
NOVAS COSTURAS
Há dias em que paro
diante das minhas cicatrizes
como quem encara um espelho antigo.
Elas não doem mais,
mas acordam
lembranças...
Basta o olhar
para que a memória respire fundo
e a dor, adormecida,
se sente ao meu lado.
Revisitar é isso:
andar novamente
pelos corredores escuros
onde minha voz tremia,
onde meu chão cedia,
onde eu me perguntava
se ainda haveria amanhã.
Houve noites
em que pensei ser apenas ruptura,
apenas resto,
apenas aquilo que ficou depois do impacto.
As cicatrizes sabem.
Elas guardam o formato exato
daquilo que me atravessou.
E eu não aceito
o que me feriu.
Não justifico o golpe.
Não romantizo o abismo.
Mas aceito que sobrevivi.
E é aqui que tudo muda.
Porque cada marca
é também costura.
Cada linha na pele
é a assinatura da minha permanência.
Eu fui fundo...
e voltei.
Hoje, quando toco minhas cicatrizes,
não peço que desapareçam.
Agradeço por existirem.
São elas que me lembram:
a dor não me terminou.
Eu me refiz.
E onde antes havia ferida,
agora nasce
força.
E onde houve queda,
há impulso.
Porque a cicatriz
não é o fim da história,
é o lugar exato
onde comecei de novo.
Comentários
Em "Novas costuras" de Isolti Cossetin, seu "eu lírico" nos diz que suas cicatrizes não são marcas de uma vida inglória, mas evidências de sobrevivência. Isso nos oferece uma visão realista de que as nossas marcas podem ser convertidas em esperança para resistirmos os traumas que sofremos ou os que estão por vir!
Lorde Égamo | 08/03/2026 ás 13:53