Nome proibido
Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de MenesesPublicado em 12 de Junho de 2026 ás 13h 53min
O Nome Proibido
de Rosy Neves
Eu o ouvi sussurrar um nome proibido
nas areias das estrelas adormecidas,
quando a noite derramava seu véu azul
sobre os minaretes da eternidade.
O vento vinha dos desertos antigos,
trazendo perfumes de açafrão e mirra,
e sua voz, tão suave quanto a lua crescente,
atravessava os jardins secretos da alma.
Era um nome guardado
nos pergaminhos do Mar Morto,
escrito com tinta de silêncio
e selado pelas mãos do tempo.
Nenhum pássaro ousava cantá?lo,
nenhuma fonte ousava repeti?lo;
somente as constelações errantes
o conheciam em seu idioma de fogo.
Eu tremi.
Pois aquele nome escondia o peso dos séculos,
a saudade dos reis esquecidos,
e o amor que Alá sepulta nas profundezas
para que os mortais não se percam em sua luz.
Ele continuou a sussurrá?lo...
E as dunas douradas da noite
curvaram?se como servas fiéis;
as estrelas inclinaram seus rostos luminosos,
e até o Bósforo pareceu deter suas águas.
Então compreendi:
há nomes que pertencem ao mundo,
e há nomes que pertencem ao céu.
O que ouvi naquela noite
não era um simples nome,
mas uma rosa eterna escondida
entre as páginas do destino,
um segredo que vive entre a areia e a estrela,
entre o coração do Rei
e o coração de quem o escuta em silêncio.