O dia se fecha devagar em mim,
como uma porta que não precisa bater.
O corpo ainda chega aos poucos,
trazendo o peso de tudo o que foi demais.
O cansaço não pede explicação,
apenas um canto onde possa se sentar.
Há silêncios que cuidam melhor
do que qualquer palavra dita.
A noite entra sem ruído,
não exige, não apressa.
Ela permanece,
e nesse permanecer manso
o tempo desacelera.
O que doeu perde forma,
o que me cansou, agora descansa.
E eu, por fim, me deixo ficar
onde a noite me encontra.