No dia em que a rosa chorou

Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de Meneses
Publicado em 17 de Maio de 2026 ás 14h 22min

No Dia em que a Rosa Chorou

 

de Rosy Neves

 

No dia em que a rosa chorou,

o jardim era tempestade.

As árvores torciam os braços ao vento,

e o céu — velho espelho quebrado —

derramava sombras sobre os canteiros.

 

As pétalas tremiam

como pássaros molhados de tristeza.

Havia relâmpagos escondidos

dentro das gotas de chuva,

e cada trovão parecia

o coração do mundo se partindo devagar.

 

Eu vi a rosa curvar a cabeça

sobre o próprio silêncio,

como quem guarda uma dor antiga

que nem o tempo ousou tocar.

 

Suas lágrimas tinham perfume.

Perfume de despedida,

de cartas nunca entregues,

de amores esquecidos na varanda do inverno.

 

As borboletas não voavam.

Dormiam entre as folhas,

com medo daquela tristeza

que inundava a terra

como um rio sem margens.

 

E o jardim inteiro chorava com ela.

As violetas apagaram seus sonhos,

os jasmins perderam a voz,

e até os espinhos — endurecidos pela vida —

pareciam frágeis

diante daquela rosa em ruínas.

 

Então compreendi:

há dores tão profundas

que fazem a natureza adoecer junto.

Há lágrimas tão puras

que transformam jardins em tempestades.

 

E desde aquele dia,

quando a chuva cai sobre as flores,

eu me aproximo devagar das rosas,

pois temo ouvir, escondido entre as pétalas,

o eco daquela antiga tristeza

que ainda chora baixinho

no coração do mundo.

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