Nas margens dos Bósforos da minha alma

Poemas | Poesia Amorosa | Rosilene Rodrigues Neves de Meneses
Publicado em 11 de Junho de 2026 ás 12h 28min

Nas Margens do Bósforo da Minha Alma

 

 Rosy Neves 

 

Nas margens do Bósforo da minha alma,

eu jurei por Alá, sob a lua crescente,

que jamais ergueria os olhos novamente

para o rosto do Rei do meu país.

 

Jurei entre mesquitas silenciosas,

entre minaretes feridos pelo vento,

entre os jardins onde os rouxinóis choram

canções antigas de amor e exílio.

 

Pois nos olhos dele há um segredo.

Há amor.

E o amor, para mim, é coisa proibida,

como a essência rara do jasmim

guardada em frascos de ouro

que minhas mãos não podem tocar.

 

Ainda assim, quando a noite desce

sobre os telhados de Istambul sonhadora,

eu sinto o perfume invisível desse destino

percorrendo as ruas do meu coração.

 

Então fujo.

Fujo dos seus olhos.

Mas eles me seguem como duas estrelas vivas

atravessando os desertos do pensamento,

como duas lanternas acesas

na escuridão das minhas preces.

 

Ó Alá, escuta o que não ouso dizer.

Eu não temo o Rei, nem sua coroa, nem seu poder sobre homens e cidades.

Temo apenas o amor que habita seus olhos.

 

Porque quem contempla o mar uma vez pode voltar à terra.

Mas quem contempla um amor proibido

carrega para sempre o perfume do jasmim

preso na memória da alma.

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