Na sombra vasta da noite
Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de MenesesPublicado em 15 de Julho de 2026 ás 06h 27min
Na Sombra Vasta da Noite
Rosy Neves
Na sombra vasta da noite,
ele ainda chora em silêncio.
Suas lágrimas não encontram voz;
caem como estrelas cansadas
sobre o jardim esquecido da alma.
A lua, cúmplice da saudade,
recolhe cada pranto em seu manto de prata,
enquanto o vento leva o nome amado
pelos caminhos onde o tempo
já não ousa regressar.
Há um mar escondido em seus olhos,
profundo como um céu sem aurora,
onde navegam lembranças
em embarcações feitas de esperança
e velas tecidas de melancolia.
Mas até a noite mais longa
guarda, em segredo, o nascimento da manhã.
E o coração que hoje chora em silêncio
há de florescer outra vez,
quando o primeiro raio de luz
beijar as ruínas do seu peito.
Então compreenderá
que nenhuma lágrima se perdeu:
todas foram sementes invisíveis,
esperando o tempo certo
para transformar a dor em eternidade.