Na noite em que o Rei chorou
Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de MenesesPublicado em 06 de Outubro de 2026 ás 07h 53min
Na noite em que o Rei chorou
Rosy Neves
Na noite em que o Rei chorou,
as estrelas tremiam de medo
na sombra profunda do universo,
e até a lua recolheu seu brilho
para não testemunhar a dor.
O céu vestiu-se de silêncio,
como um templo depois da partida,
e os astros, pequeninos,
escondiam-se entre as constelações,
temendo que uma lágrima do Rei
apagasse o caminho das galáxias.
Ele chorava sem voz,
sentado à margem de um mar
que não pertencia a este mundo.
Cada lágrima sua
caía como uma pérola antiga,
carregando séculos de saudade.
E eu, distante,
olhei para o firmamento
sem compreender por que a eternidade
podia conhecer a tristeza.
— Ó Rei, por que choras? —
perguntei ao vento.
Mas o vento não respondeu.
Apenas trouxe, de muito longe,
o perfume de lírios adormecidos
e um suspiro perdido
entre as estrelas.
Então compreendi:
há dores que nem os anjos nomeiam,
há lágrimas que o universo inteiro
não consegue recolher,
e há noites em que até um Rei
precisa chorar.
Naquela noite,
as estrelas não brilhavam.
Elas apenas tremiam,
em silêncio,
enquanto o universo inteiro
guardava o segredo
das lágrimas do Rei.