Na noite em que eu chorei estrelas

Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de Meneses
Publicado em 22 de Março de 2026 ás 06h 25min

Na noite em que eu chorei estrelas,

o céu se abriu dentro de mim,

e cada lágrima que caiu

não era dor —

era um fragmento de infinito.

 

Minhas lágrimas, vivas e inquietas,

retorceram-se como larvas de luz,

tecendo um rio estranho, pulsante,

um caminho orgânico entre mundos

que ninguém jamais ousou nomear.

 

Esse rio não corria na terra,

mas atravessava silêncios antigos,

escorria pelas fendas do tempo

e desaguava — inevitável —

no abismo profundo do oceano cósmico.

 

Lá, onde nem a ausência respira,

minha dor se dissolveu em estrelas mortas,

e o que era lágrima

tornou-se semente de universos.

 

E talvez, em algum outro lugar,

em um outro céu que ainda não existe,

alguém olhe para o brilho distante

e sinta, sem saber por quê,

um leve gosto de saudade.

Comentários

Olá! Utilizamos cookies para oferecer melhor experiência, melhorar o desempenho, analisar como você interage em nosso site e personalizar conteúdo. Ao utilizar este site, você concorda com o uso de cookies.