Na noite em que as estrelas....
Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de MenesesPublicado em 21 de Março de 2026 ás 23h 12min
Na noite em que as estrelas se inclinaram,
como quem escuta um segredo antigo,
o céu abriu seus véus de silêncio
e o tempo parou por um instante.
Havia um sopro — não de vento —
mas de eternidade atravessando o ar.
E então ele passou…
não com o peso dos passos,
mas com a leveza de quem nunca caiu.
O arcanjo.
Seus olhos carregavam auroras,
suas mãos, promessas não ditas,
e em suas asas repousava
o eco de mundos esquecidos.
As estrelas, humildes, se curvaram,
reconhecendo a chama que nelas nasceu.
E eu — pequeno diante do infinito —
fui testemunha de um milagre silencioso.
Naquela noite, o céu não era distante,
nem Deus parecia inalcançável.
Tudo se fez próximo,
como um sussurro dentro do peito.
E quando ele partiu,
levou consigo o brilho do instante,
mas deixou em mim
uma saudade que não é dor —
é luz.