Morada

Poemas | Rose Correia
Publicado em 23 de Janeiro de 2026 ás 07h 15min

Sinopse:

Um convite para abrir as próprias gavetas e permitir que o que está guardado também faça parte do respirar.

 

Morada

 

Me fiz morada.

 

Sinto um raro e leve sopro

que adentra pelas frestas

da minha janela.

 

Deixo-a entreaberta

de propósito.

 

Meus cômodos?

Percorro-os todos os dias.

 

Abro portas,

puxo gavetas,

deixo que memórias

respirem fora do escuro.

 

Em cada gaveta,

algo meu dobrado:

o que fui,

o que calei,

o que ainda espero.

 

E da minha varanda,

contemplo a vida…

enquanto aprendo

que também sou feita

do que escolho abrir...

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