Meu exílio
Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de MenesesPublicado em 26 de Maio de 2026 ás 15h 36min
O Meu Exílio
Ó Rei Arcanjo!
Os meus olhos voltam-se para as estrelas
num profundo e doloroso soluço,
buscando, além do céu, o caminho de volta…
Tenho saudades de casa,
da minha verdadeira e eterna morada…
Quando chega a noite,
e as névoas suaves
cobrem o mundo com o seu manto de sombra,
eu fecho os olhos e sonho…
E o meu sonho é tão belo, tão cheio de luz,
que parece mais verdadeiro do que a própria vida.
Nele, caminho mansamente
por uma estrada que, embora pareça de pedras,
é feita de silêncio sagrado,
e brilha tão intensamente quanto o próprio sol…
Mas a angústia fria deste mundo me desperta,
trazendo-me de volta à dura realidade:
a de que estou aqui, preso, longe de vós.
E então penso… talvez este mundo, afinal,
não seja o real, mas apenas uma sombra,
uma vasta e solitária prisão de onde almejo fugir.
Ó meu Deus! Por que será, então,
que os meus olhos se erguem com tanta ânsia,
tanta esperança e amor,
exatamente na direção das estrelas?
É para lá que o meu coração foge…
Para aquele reino distante, feito de névoa dourada,
onde se elevam torres altas e magníficas,
e existem jardins suspensos, verdes e floridos,
que se estendem por toda a eternidade, sem fim.
Ó meu Deus! Por que esse desejo imenso?
E, ao vento, ecoa uma resposta suave,
uma voz que se mistura à brisa,
algo que a minha alma reconhece e entende
como um sinal vindo das profundezas da eternidade…
E eu pergunto, olhando fixamente para o alto:
— Dizei-me, quando enfim retornarei?
Eu vigio o céu, olhando as estrelas incansavelmente…
E eis que vejo uma delas rasgar a imensidão,
riscando a escuridão com uma luz veloz e brilhante.
Seria essa a resposta que espero?
Ah, meu Deus…
Talvez seja!
Quem sabe não é um sinal do céu…