Escrever sobre o Matheus é para mim, um exercício de tradução. Como mãe e escritora, me vi diante do desafio de narrar uma rotina que a maioria das pessoas não consegue sequer imaginar.
O título "Meu Doce Matheus" nasceu desse duplo sentido que me habita: o amor infinito que sinto pelo meu filho e a glicose que insiste em transbordar no sangue dele. Mas é no subtítulo, "Um mundo doce onde o sabor é amargo", que reside a verdade nua da nossa jornada.
O "mundo doce" é a metáfora perfeita para o Diabetes Tipo 1. É um universo onde o excesso de açúcar no sangue não traz energia, mas perigo. É uma doçura invisível e traiçoeira, que satura as veias de uma criança enquanto o corpo, paradoxalmente, morre de fome por dentro.
Conviver com o DM1 é estar cercada por esse açúcar que não nutre, um cenário onde a vida depende de um equilíbrio matemático que eu, como mãe, fui obrigada a dominar.
Já o "sabor amargo" não vem apenas da privação ou das restrições alimentares, isso é o de menos. O amargor está na ponta da agulha, no som do alarme que corta o silêncio da madrugada, na vigilância que nunca dorme e na angústia de saber que a saúde do meu filho depende exclusivamente da minha precisão. É o amargo de ver o Matheus ser forte antes da hora, de vê-lo oferecer o dedo para a picada antes mesmo de saber falar sobre o que sentia.
Nestas páginas, eu me apresento como a "mãe pâncreas". Essa não é uma função que escolhi, mas uma que o amor me impôs. Ser mãe pâncreas é viver com o coração fora do peito e o raciocínio clínico dentro da alma. É transformar cada grama de carboidrato em poesia de sobrevivência. Eu sou o pâncreas dele quando a biologia falhou; eu sou a métrica, o ajuste e a segurança.
Estou escrevendo este livro porque precisava dar voz a esse paradoxo. Quero que o leitor sinta que, embora o caminho tenha o sabor amargo da responsabilidade extrema e do medo constante, ele é pavimentado pela doçura da vida do Matheus. No final das contas, este relato não é sobre uma doença, mas sobre como o amor materno é capaz de filtrar o amargor do mundo para garantir que a única doçura que realmente importe seja a do sorriso de um filho.
Livro: Meu Doce Matheus - relatos de uma mãe pâncreas "Um mundo doce onde o sabor é amargoComentários
Dia 20 de junho de 2025, Davi Luiz meu filho caçula, então com 11 anos na epoca, passou muito mal, levamos as pressas para a cidade, (moramos a 140km longe da cidade) e ele foi internado com risco de ser induzido a ventilação mecânica. Recebemos o diagnóstico de Diabetes Mellitus tipo 1 (DM1). Foi nesse dia que ouvi falar dessa doença, auto-imune, não transmissível, e segundo os medicos, para o resto da vida. Ouvi que o pancreas dele tinha parado de produzir insulina. Como assim?. Desde então ele requer tratamento diário com insulina humana NPH e tambem a insulina REGULAR quando necessario, monitoramento da glicemia varias vezes por dia e mais 2 comprimidos, D3 de 2000ui e Januvia de 500mg. Tivemos dias bem dificeis, pois Davi era uma criança sem problema algum de saúde, e de repente, fomos sacolejados e puxados para uma realidade que desconhecíamos. Mas eu acredito que esse impossivel será revertido. Para os medicos não tem cura, mas para Deus nada é impossivel. E até a cura do Davi, nos vamos seguindo com todo cuidado.
Eidi Martins | 19/03/2026 ás 14:28