Metamorfose de Si
Um conto breve do cotidiano
No quintal, ela descobriu um casulo preso ao galho. Pequeno, discreto, quase invisível. À primeira vista, parecia apenas silêncio. Mas dentro dele havia uma revolução acontecendo.
Todos os dias, ao passar pela árvore, ela se detinha por alguns instantes. Observava o casulo e, sem perceber, se via refletida nele. Também ela estava em espera, também ela carregava dentro de si uma transformação que ainda não sabia nomear.
O amor que vivia era incerto, feito de dúvidas e esperanças. Às vezes, parecia firme como raiz; outras vezes, frágil como asa. E nesse vai e vem de sentimentos, ela compreendia que estava em metamorfose: aprendendo a se reconhecer, a se reconstruir, a se preparar para o voo.
Até que, numa manhã, o casulo se abriu. A borboleta surgiu, delicada, tremendo as asas antes de se lançar ao mundo. Ela sorriu, porque entendeu que a vida é feita de ciclos: alguns se fecham, outros se abrem.
E naquele instante, percebeu que não importava o destino do relacionamento. O que importava era que, como a borboleta, ela também aprendera a nascer de novo.
Silvia Santos
Comentários
A metamorfose da borboleta nos traz muitas lições de vida!
Lorde Égamo | 05/04/2026 ás 18:49