Memórias ao Café
| Conto | 2026/4 Antologia Breves narrativas do cotidiano: entre histórias e versos do dia a dia | Silvia Dos Santos AlvesPublicado em 05 de Abril de 2026 ás 16h 35min
Memórias ao Café
Reflexos da vida nos gestos simples
Ela acordava cedo, como sempre. O primeiro gesto era coar o café, deixando que o aroma se espalhasse pela cozinha e invadisse a casa inteira. Com a xícara quente entre as mãos, seguia até a área, onde o coqueiro se erguia como guardião de suas manhãs.
Os passarinhos já estavam lá, em festa. Cantavam, saltavam entre as folhas, disputavam espaço como se celebrassem a chegada do dia. Ela sorria, porque naquela algazarra havia uma alegria que não se explicava, apenas se sentia.
O café, forte e doce, trazia lembranças. Cada gole era uma viagem: a infância na casa da mãe, o cheiro de pão fresco, o riso dos irmãos correndo pelo quintal. Às vezes, lembrava também dos silêncios — aqueles que doíam, mas que a ensinaram a ser mais forte.
Sentada ali, entre o canto dos pássaros e o perfume do café, percebia que a vida era feita desses instantes. Pequenos, quase invisíveis, mas capazes de guardar o mundo inteiro dentro de si.
E assim, todas as manhãs, ela se vestia de memórias e esperanças, acreditando que o simples ato de observar os passarinhos podia ser, também, uma forma de renascer.
Silvia Santos
Comentários
Silvia Santos, em seu conto, utiliza o café como elemento sensorial, condutor de lembranças e introspecção. O conto celebra o cotidiano e a capacidade que temos de encontrar significados para a vida em pequenos gestos!
Lorde Égamo | 05/04/2026 ás 18:27