Medido em Metros

Poesia Lírica | Rose Correia
Publicado em 15 de Fevereiro de 2026 ás 11h 12min

Sinopse:

Acostumado ao horizonte, ele descobre, entre grades e concreto, que a liberdade não se mede em passos — e que viver confinado é aprender a existir em metros.

 

Medido em Metros 

 

O vento bagunçava os cabelos,

a poeira invadia a roupa sem pedir licença,

o sol tocava a pele, deixando marcas invisíveis,

e o aroma de mato era o perfume preferido.

 

Ele era feito passarinho,

sempre encontrava o caminho de casa.

Não conhecia a solidão…

até que pisou no laço do passarinheiro.

 

Não houve céu naquele dia — houve chão.

Houve sirene. Houve algema.

 

As mãos que antes colhiam vento

aprenderam o peso do ferro.

O corpo, acostumado ao horizonte,

foi empurrado para dentro de quatro paredes.

 

O sol já não tocava a pele;

entrava por uma fresta alta,

contado em minutos.

 

O cheiro de mato foi trocado

por mofo, suor e concreto.

 

Agora ele mede o tempo pelo barulho das chaves

e pelo eco dos passos no corredor.

 

Ainda é feito passarinho.

Mas as asas não batem mais.

Elas doem.

 

E na cela estreita,

ele descobriu que liberdade

não era costume —

era milagre.

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