Sinopse:
Acostumado ao horizonte, ele descobre, entre grades e concreto, que a liberdade não se mede em passos — e que viver confinado é aprender a existir em metros.
Medido em Metros
O vento bagunçava os cabelos,
a poeira invadia a roupa sem pedir licença,
o sol tocava a pele, deixando marcas invisíveis,
e o aroma de mato era o perfume preferido.
Ele era feito passarinho,
sempre encontrava o caminho de casa.
Não conhecia a solidão…
até que pisou no laço do passarinheiro.
Não houve céu naquele dia — houve chão.
Houve sirene. Houve algema.
As mãos que antes colhiam vento
aprenderam o peso do ferro.
O corpo, acostumado ao horizonte,
foi empurrado para dentro de quatro paredes.
O sol já não tocava a pele;
entrava por uma fresta alta,
contado em minutos.
O cheiro de mato foi trocado
por mofo, suor e concreto.
Agora ele mede o tempo pelo barulho das chaves
e pelo eco dos passos no corredor.
Ainda é feito passarinho.
Mas as asas não batem mais.
Elas doem.
E na cela estreita,
ele descobriu que liberdade
não era costume —
era milagre.