Mar de lágrimas

Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de Meneses
Publicado em 24 de Março de 2026 ás 08h 54min

Estou à deriva em mim,

náufraga de um mar que não tem margens,

feito de lágrimas que conhecem meu nome.

 

O nevoeiro vem manso —

mas é denso como um adeus não dito,

e apaga o farol do porto mais próximo,

como se a esperança tivesse esquecido

o caminho de volta.

 

Sigo…

sem bússola, sem vento que me guie,

em um oceano antigo,

onde as estrelas parecem distantes demais

para me reconhecerem.

 

E há um silêncio tão vasto,

que ecoa a tua ausência

como um lamento sem fim.

 

Estou só.

Tão só sem ti.

Então, por um instante apenas —

antes que eu me dissolva nessa imensidão —

me abriga em teus braços

como quem recolhe um corpo cansado da tempestade.

 

Deixa-me repousar

onde o mundo não me alcance,

onde o tempo não me peça forças

que já não tenho.

 

Porque estou cansada…

e até o infinito, hoje,

pesa em mim.

Comentários

muito bom

ADAILTON LIMA | 24/03/2026 ás 12:17
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