Mané da Estrela e a Assombração do Sertão

Contos | Claison Maldonado das Neves
Publicado em 25 de Maio de 2024 ás 17h 16min

Era uma vez, em uma pequena vila esquecida pelo tempo no coração do sertão nordestino, uma assombração que atormentava os moradores com sua presença fantasmagórica. As noites eram tomadas por sussurros e sombras, e ninguém ousava sair de casa após o pôr do sol.

Mané da Estrela, um senhor de idade que vivia em uma fazenda próxima, era conhecido por contar histórias fascinantes para seus netos. Ele falava de tempos antigos, de aventuras vividas e de seres místicos. Mas a história que os netos mais gostavam era a de quando Mané era jovem e enfrentou a assombração que aterrorizava a vila.

“Numa noite de lua nova,” começava Mané, “quando a escuridão era tão densa que se podia cortar com uma faca, eu decidi que era hora de enfrentar o espectro que tanto medo causava em nosso povo.”

Mané era jovem e destemido, com um coração tão grande quanto o sertão. Ele caminhou pelas ruas vazias da vila, guiado apenas pela luz das estrelas e pelo brilho de sua coragem. O silêncio era interrompido apenas pelo som de seus passos firmes.

“Eu cheguei à praça central,” continuava Mané, “e foi lá que eu vi a assombração. Era uma figura etérea, envolta em um manto de névoa, com olhos que brilhavam como fogo frio.”

Os netos se encolhiam, abraçados aos joelhos, enquanto Mané descrevia o confronto.

“Eu não tinha armas, apenas minha fé e minha voz. Então, eu comecei a falar com a assombração. Eu disse que não tínhamos medo dela, que nossa vila era um lugar de paz e que ela deveria encontrar seu descanso.”

A assombração ouviu as palavras de Mané e, pela primeira vez, a tristeza em seus olhos etéreos foi vista. Ela era o espírito de uma mulher que havia se perdido no sertão, procurando por seu amor desaparecido.

“Eu prometi à assombração que ajudaria a encontrar seu amor, se ela deixasse a vila em paz,” disse Mané, com uma voz que misturava determinação e compaixão.

Mané da Estrela cumpriu sua promessa. Ele viajou por dias, seguindo pistas antigas e lendas esquecidas, até que encontrou o espírito do amado da assombração. Eles estavam separados pela morte, mas Mané, com sua fé inabalável, conseguiu reunir os dois espíritos.

“Naquela noite, a vila dormiu em paz. A assombração e seu amor foram vistos subindo aos céus, onde se tornaram duas estrelas brilhantes, eternamente juntas.”

Os netos de Mané da Estrela olhavam para o céu noturno, imaginando as estrelas como os amantes reunidos. Eles sabiam que seu avô era um homem de palavra, um herói que enfrentava o desconhecido com coragem e bondade.

“Assim, meus queridos, sempre que olharem para as estrelas, lembrem-se de que o amor é mais forte que a morte e que a coragem pode trazer paz até para os corações mais atormentados.”

E com essa história, Mané da Estrela ensinou aos seus netos o poder da empatia e da bravura, valores que eles levariam consigo por toda a vida.

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