Sinopse:
Entre caminhos vazios e reflexos inquietos, a descoberta de que a felicidade talvez não esteja em encontrar, mas em ser.
Mais Estranho do Que Eu
Perambulei pelas alamedas da vida, tentando encontrar a felicidade. Entrava e saía de lugares que diziam que ela estaria ali, e, a cada dia, mais eu me perdia de mim.
Logo pela manhã, ao encarar meu reflexo, ficava um tanto perplexo, tentando novamente me encontrar. Confesso que, muitas vezes, talvez por engano, eu era um ser completamente insano. Olhava à minha volta e não havia saída. Cheguei a duvidar que essa tal felicidade fosse coisa além da minha imaginação.
Enquanto levemente sentia, dentro de mim, o pulsar do coração, pensava comigo mesmo:
— Ainda há vida em mim e, enquanto eu existir, não desisto, não.
Certo dia, eu andava pelo mesmo caminho sem fim. Pensava que, naquele dia, felicidade seria alguém gostando de mim. Novamente, o pensamento me traiu e, bem no fundo do poço, minha alma decaiu.
E então, ao me encontrar, algo estranho aconteceu — mais estranho do que eu. Ao olhar para o espelho, era o reflexo quem me encarava. Ficou ali, me olhando, como quem quisesse dizer:
— Felicidade não é ter, é ser, seja. Seja você. Viva agora. Olhe para si. Se aceite, se ajeite, se cuide. Eu sempre estarei ao lado de quem quer ser.
Dei um salto para trás e logo olhei de novo. O reflexo no espelho parecia ser um renovo. Desde então, deixei de ser padrão e vivo de um jeito novo.