Lugar de achar
As árvores tem boca,
que falam por folhas.
Sussurram nas dobras dos ventos,
achadouros a bailar.
Os pássaros em revoada,
cantam em ladainha até ao destino chegar.
O silêncio aprende a dançar,
quando o vento passa nos galhos.
Me encanto com o dedilhado da chuva,
Sendo pianista fervorosa,
Toca nos telhados, nas latas e tudo quanto há.
Cada pingo de água é um verso.
Tem som que mora dentro da pedra.
mas só entoa quando o rio cutuca.
O rio fala com língua curva,
E num tom espumoso conversa com a margem.
À noite, o grilo risca a escuridão com entonação.
O vagalume clareia a orquestra.
A coruja que entende o idioma do breu,
Ouve tudo com atenção.
Tudo canta, chia e cochicha,
Que até o silêncio dá para escutar.
Porque o som na natureza, não se mostra.
Se revela devagar, nos “lugares de achar”
Somente com os olhos fechados, dá para escutar.
( Simone Brasil )