Da janela eu olho a rua

mansamente...

uma folha de papel sobe,

lentamente,

tocada pelo vento;

um pássaro voa

leve,

longe

até se perder

na imensidão.

            A garoa cai, amarga, como lágrimas

            sobre a tarde negra...

            No subúrbio, o trenzinho sofre

            as dores do parto,

            no deserto da avenida

            ainda  há vida;

            o morto ressurge

            entre trompas e bandeiras!

Ouço vozes no murmúrio do vento...

Uma grande multidão

caminha

numa procissão de sombras,

carregando nos peitos,

apesar do silêncio

sonhos

que se chocam

e se desfazem

entre o já e o jamais.




 

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