Leveza de névoa

Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de Meneses
Publicado em 01 de Maio de 2026 ás 09h 59min

Leveza de névoa

 

Ele tem os passos leves como fumaça,

deslizando pelo chão sem fazer barulho,

um sopro que mal se sente:

a gente olha e ele já está ali,

ou já se foi,

um fantasma gentil

a dançar no limiar do visível.

 

Os olhos cobertos por uma neblina calma,

um véu de serenidade

que não esconde,

mas suaviza

as arestas do mundo,

as rugas da preocupação,

um convite ao descanso,

ao silêncio que acolhe.

 

Não há espanto neles,

nem urgência,

apenas um olhar que tudo abarca

sem julgar,

como a bruma que envolve as montanhas,

desenhando contornos incertos,

mas reais.

Um convite a olhar para dentro,

a encontrar a paz que dorme

sob o véu.

 

E a alma enfeitada de névoa,

um jardim secreto

onde os pensamentos flutuam

sem pressa,

as emoções se misturam

como cores desbotadas,

uma pintura impressionista

do sentir.

 

Não há clareza cristalina,

mas uma beleza difusa,

uma profundidade que se revela

aos poucos,

como um segredo sussurrado

pelo vento

que acaricia a pele

e nos faz lembrar de algo

que esquecemos:

talvez um sonho,

talvez uma saudade antiga.

 

Ele caminha

com essa leveza de espírito,

essa aura de mistério tranquilo,

uma poesia em movimento

que se desdobra

a cada passo,

a cada olhar,

a cada suspiro.

O mundo ao redor

ganha um contorno diferente,

mais suave,

mais contemplativo,

convidando a alma

a se perder

nessa dança etérea,

nesse abraço de névoa

e calma.

Comentários

Parabéns pela leveza do poema

ADAILTON LIMA | 01/05/2026 ás 18:44
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