É domingo de manhã.
O clima frio e nublado detém os pequenos “enclausurados”.
O fogo está aceso.
A madeira crepita e arde em chamas.
As chamas criam formas na imaginação da criançada.
A água na chaleira se aquece para o chimarrão.
A panela de ferro ao lado se apronta para receber, mais tarde, o fubá para a polenta.
No forno, a batata doce assando inebria narizes famintos.
A fumaça sai da chaminé embalada pela aragem fresca. Baila ao vento, a esmo.
A garoa fina que cai molha a calçada e assanha os tico-ticos.
As violetas regozijam-se ao encontrar as gotículas.
Nos canteiros, o chuvisco faz brotar o aroma do capim-cidreira e da manjerona.
A família reunida ao redor do fogão à lenha põe a conversa em dia.
As risadas ecoam pela cozinha.
O calor do fogo aquece os corpos acabrunhados pelo vento que teima em se embrenhar pelas frestas do porão.
O carinho e a alegria que vicejam pelo ar aquecem os corações.
Corpos e corações aquecidos revelam vida.
Um detalhe. Um instante.
Uma lembrança fumegante!
Livro: O que quero da vida
Comentários
Rememorar estes momentos faz nossa alma reviver e sentir as mesmas coisas, os mesmos aromas que nos deixavam mui felizes! Que bela poesia!
Muito obrigado, poeta Enoque. Sempre gentil.
Lindíssima prosa poética, uma viagem na minha infância!
Que bom que estes versos conduziram-te pelos recantos da memória. Obrigado pelo carinho, amigo Edson.