LÁGRIMAS
O céu hoje pesa em cinza
e desaba em pingos grossos,
esmagando o silêncio da terra.
Olho a janela embaçada
e vejo o pranto do mundo correr,
neste dia em que a saudade ganha nome.
Não é água o que desce do infinito,
são os olhos daqueles que partiram,
vertendo a saudade de quem ficou.
Cada pingo que do céu cai
é uma lágrima da eternidade,
o aceno úmido e invisível
de quem já dorme o sono eterno,
mas teima em nos abraçar através da chuva.