O dia passou devagar, sorrateiro,
ferindo em silêncio o peito inteiro.
Olhei a porta, o céu, o roteiro,
ninguém chegou, nenhum mensageiro.
Nem vinho, nem rosa, nem declaração,
nem voz aquecendo o coração.
Só o vazio em expansão
ocupando cada sensação.
Tua ausência entrou sem bater,
sentou-se firme para me vencer.
Trouxe o frio do não-ser
e o peso de não te ter.
Não pude fugir, não pude negar,
não havia com quem argumentar.
Teu único gesto a me entregar:
lágrimas soltas no meu olhar.