Lágrimas de uma estrela ocidental
Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de MenesesPublicado em 31 de Agosto de 2026 ás 18h 08min
Lágrimas de uma Estrela Ocidental
Rosy Neves
Lágrimas de uma estrela ocidental
caíram esta noite sobre a terra,
silenciosas como preces esquecidas,
frias como a última palavra
de um amor que não encontrou morada.
Ela chorava além dos oceanos,
onde o céu se desfaz em sombras
e o crepúsculo veste de púrpura
as feridas antigas do mundo.
Ninguém ouviu seu pranto.
Somente a lua,
sentinela pálida das madrugadas,
recolheu em suas mãos de prata
as lágrimas que desciam do infinito.
E eu, perdida à margem do tempo,
olhei para o céu
como quem procura um nome
que um dia foi seu.
Havia uma estrela morrendo no ocidente.
E cada lágrima sua
parecia dizer:
— Ainda estou aqui…
Mas sua voz chegava tão distante,
tão cansada,
que parecia apenas o suspiro
de um universo esquecendo-se de existir.
Então compreendi:
há estrelas que não desaparecem.
Apenas aprendem a chorar
em silêncio
para que ninguém perceba
o quanto dói
continuar brilhando.
E naquela noite,
quando a última lágrima tocou a terra,
eu também chorei.
Não pela estrela…
Mas por tudo aquilo
que um dia brilhou em mim
e que o tempo,
sem piedade,
levou para o lado ocidental do céu.