Jardim suspenso acima do azul profundo
Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de MenesesPublicado em 10 de Março de 2026 ás 12h 10min
Jardim Suspenso, Acima do Azul Profundo
Onde o céu se curva,
não mais teto, mas tapete de veludo negro,
tecido com fios de poeira de cometa,
ali se eleva,
o jardim suspenso.
Não há solo firme, apenas a promessa do etéreo,
raízes que bebem luz das galáxias distantes,
flores que desabrocham em silêncio de vácuo,
pétalas feitas de névoa lunare o brilho frio dos anéis de Saturno.
É um lugar oculto,
esquecido pelos mapas dos navegantes celestes,
longe do ruído dos sóis nascentes,
um refúgio bordado no tecido do nada.
As árvores não têm tronco visível,
são formas de sombra densa,
onde o tempo cochila, lento, quase parado,
e as folhas murmuram segredos antigos,
histórias que a Terra esqueceu de contar.
Cada folha guarda uma lembrança,
não nossa, mas de eras que vieram antes,
a melodia da primeira estrela que se apagou,
o suspiro final de um universo jovem.
Eas almas, ah, as almas.
Elas chegam sem pressa,
não por mérito ou penitência,
mas por atração suave, como pólen levado pela brisa cósmica.
Elas flutuam entre os arbustos de luz,
corpos leves, despidos de peso e dor,
reconhecendo, finalmente, a quietude verdadeira.
Neste jardim suspenso,
não há julgamento, nem necessidade de palavras.
Oar é denso com paz,
um perfume de saudade que nunca foi sentida.
As almas se tornam parte da paisagem,
seus contornos se misturam com o verde espectral da flora estelar,
elas se banham na luz pálida de um quasar moribundo,
e aprendem a respirar a eternidade.
Ojardim os abraça,
um berço suspenso entre o ser e o não ser,
onde cada alma encontra seu próprio brilho,
e a espera termina,
não com um fim,
mas com um florescer infinitona calma imensidão.
É o último retiro,
o refúgio onde a essência se reconhece,
neste jardim invisível,
onde as estrelas são as lanternas mais próximas.