Inverno Interno
Poemas | Poesia intimista | Rose CorreiaPublicado em 20 de Março de 2026 ás 15h 26min
Sinopse:
Entre neblina e lágrimas, o frio do mundo revela a neve silenciosa que habita o coração.
Inverno Interno
Estava frio.
Não apenas no ar —
mas no que não se diz.
O vento, em passos cansados,
deslizava pela copa das árvores,
como quem carrega silêncios,
despertando a neblina adormecida.
As gotículas, ingênuas,
procuravam abrigo na face,
sem saber
que ali não havia repouso.
Ao tocá-la,
dissolviam-se
no rio salgado dos olhos —
um curso antigo,
nascido de ausências.
E, rendidas,
retornavam ao chão,
onde a neve tudo cala,
tudo cobre,
tudo esconde.
Porque dentro,
onde o toque não alcança,
o coração —
também —
nevava.