Inverno entre névoas
Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de MenesesPublicado em 05 de Junho de 2026 ás 08h 20min
Inverno Entre Névoas
O inverno desceu nas copas das árvores, hoje, como um velho viajante vestido de silêncio. Pousou seus dedos frios sobre os galhos nus e espalhou brumas pelos caminhos da manhã.
Hoje... hoje tudo é solidão entre névoas.
Os pássaros recolheram seus cantos, e o vento, cansado de tantas partidas, anda devagar pelos campos adormecidos, como quem procura um nome esquecido no tempo.
As flores curvam suas pétalas em oração, enquanto a tarde se dissolve nas águas cinzentas do horizonte. Há um perfume de saudade pairando no ar, como cartas antigas nunca enviadas.
E eu caminho por dentro desta paisagem, carregando no peito um jardim de lembranças. Cada névoa que atravesso traz o contorno distante de um sonho, de uma voz que o tempo levou.
O inverno desceu nas copas das árvores, hoje, e o mundo parece suspenso entre o adeus e a esperança.
Mas, escondida sob a terra fria, uma semente ainda guarda a primavera, como a alma guarda a luz mesmo nas noites mais longas da solidão.