“Infidelidade masculina”
Ela não soube quando começou
O corpo soube antes da razão
O celular virado para baixo
Coração fora do ritmo, descompassado.
O que era esquecido no sofá
Passou a morar no bolso
No banheiro e no silêncio
Ela chamou de cansaço, trabalho, estresse.
Qualquer nome que não fosse medo
Ele atendia, mas voltava outro
Distante ou excesso de carinho
Os dias se partiram.
Horários tortos
Presença vazia
Olhar atravessado
Ela perguntou, vieram lâminas:
— Você exagera
— Você sufoca
— O problema é você
E ela quase acreditou.
Havia o corpo, toque evitado
Ou pressa sem encontro havia o cheiro
O mesmo corpo, outra história.
Nenhuma prova.
Só fissuras.
Até entender
A dor maior não era a traição
Era calar a si mesma.
Porque antes de tudo
Uma voz nunca mentiu
“Algo não está certo!”
E, enfim, ela escutou.