Hoponopono do amor
Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de MenesesPublicado em 06 de Março de 2026 ás 08h 03min
O suspiro calmo antes da palavra.
Um suave virar para dentro,
uma escuta nos recessos do peito.
Hoponopono do amor,
não um feitiço mágico,
mas uma limpeza suave.
Vejo a sombra no canto do meu quarto,
aquela que eu fingi que não existia,
a pequena dor que continua batendo,
insistente, como uma chuva lenta e triste.
E eu sussurro isso,
à memória,
ao espaço entre meus pensamentos.
Eu me desculpo.
De verdade, profundamente desculpada
pela parte de mim que guardou essa dor,
pela maneira como deixei o mal-entendido
construir muros.
Perdoe-me.
Não você lá fora,
mas eu mesma por dentro, que julguei rápido demais,
que me protegi contra a ternura,
que me esqueci da luz solar compartilhada.
Obrigada.
Por me mostrar essa lição,
por trazer esse nó antigo à superfície,
pela oportunidade de desatar-lo agora,
com atenção simples e honesta.
E eu te amo.
Esta é a parte mais difícil,
e a mais fácil.
Eu amo a borda quebrada,
o erro que me ensinou misericórdia,
o silêncio que exigiu escuta.
Eu envolvo esse sentimento,
esse momento,
toda essa história de atrito,
em uma luz suave e quente.
Não se trata de apagar o passado,
não, de jeito nenhum.
Trata-se de limpar o espelho.
Lavar o vidro até que o reflexo
esteja claro, sem nuvens de poeira antiga.
O rio flui melhor
quando as pedras são alisadas pela corrente.
Hoponopono do amor é cuidar do jardim
dentro da porta do meu próprio ser.
Arrancando as ervas daninhas do ressentimento,
regando as sementes da aceitação.
Olho para o rosto que vejo pela manhã,
aquele que precisa da maior bondade,
e ofereço as quatro frases,
como quatro pequenas velas acesas contra a escuridão.
Sou responsável apenas pela minha própria transformação,
pela minha própria decisão de amaciar.
E quando o coração se liberta,
um pequeno espaço se abre.
Um claro calmo onde a luz finalmente pode repousar,
sem pressa,
incondicional.
O trabalho nunca acaba,
mas a oferta é sempre nova.
Inspiro paz.
Expiro amor.
Novamente.
E novamente.
Até que o eco desapareça,
e só a presença gentil permaneça.
Comentários
Gostei do poema, mas adorei mesmo os três versos iniciais, são daqueles que, de repente, passeiam pela mente da gente e orienta toda a construção.
Gilmair Ribeiro da Silva | 06/03/2026 ás 09:53